Homens de Coragem

Em 30 de julho de 1945, depois de entregar componentes da bomba atômica, a qual três semanas mais tarde seria lançada sobre as cidades japonesas, o navio americano USS Indianapolis foi atingido por torpedos vindos do submarino japonês I-58, na região das Filipinas. Centenas de tripulantes afundaram com o Indianapolis, mas cerca de 900 homens ficaram à deriva.

Se você é fã de filmes de guerra ou assistiu ao filme “O Tubarão”, do Spilberg, no qual o Quint (papel de Robert Shaw) conta sobre este naufrágio vai querer ver também!!

Após contarem com a sorte cruzando o Pacífico em dez dias, sem qualquer incidente, até a ilha de Tinian, no arquipélago de Marianas e descarregarem sua carga secreta, o USS Indianapolis começa a tensa jornada de retorno, sendo um alvo fácil para os temidos submarinos japoneses e terminando como o pior desastre naval da história dos EUA.

O filme, de 2016, conta com a direção do ator e diretor mexicano Mario Van Peebles. Os excessos de clichês atrapalham um pouco o andamento da história, bem como algumas “aceleradas” sem muita explicação, além da falta de “profundidade” na interpretação do comandante Charles Butler McVay pelo ator Nicolas Cage… mas persista, pois, o filme tem seus méritos e ganha emoção a partir das cenas, depois do ataque, quando a tripulação, espalhada em alto mar e flutuando nos poucos e minúsculos botes, tem que enfrentar o cansaço, o medo, a fome e os ataques dos tubarões.

O enorme navio afunda em 12 minutos deixando por volta de 900 homens à deriva no meio do oceano. Enquanto esperam o resgate, eles passam fome e sede além da intoxicação pela enorme quantidade de óleo combustível, que entrava nos olhos e nariz, porém nada se compara ao medo e desespero frente aos ataques dos tubarões atraídos pelo barulho e o cheiro de sangue.

É emocionante e angustiante assistir as tentativas do comandante de juntar os homens e tentar encorajá-los sabendo que as chances de resgate seriam mínimas uma vez que devido ao total sigilo da missão, ninguém sabia onde eles estavam.

Durante o ataque, antes do navio afundar, vários pedidos de ajuda (SOS) foram enviados, porém eles não foram atendidos por acharem que se tratavam de manobras dos japoneses em virtude do forte sigilo que envolveu toda a operação. Assim os sobreviventes só foram resgatados, durante uma patrulha de rotina, após cinco longos dias, pela tripulação do avião PV-1 Ventura. Apenas 317 marinheiros sobreviveram.

Considerado culpado pela tragédia, o capitão do navio, Charles McVay III, foi julgado pela corte marcial. Apesar dos sobreviventes não concordarem com essa acusação e do depoimento do comandante japonês atestar que nenhuma manobra que o comandante McVay pudesse fazer evitaria o ataque, ele foi condenado.

Todo o julgamento foi uma manobra para se ter um bode expiatório, uma vez que o alto comando da Marinha ficou totalmente isento pela estratégia elaborada para a missão – sigilo absoluto sem qualquer escolta. Embora ele tenha sido reintegrado à Marinha, McVay sofreu com as várias acusações, ameaças e telefonemas anônimos de famílias que perderam seus parentes e também com seus próprios traumas e fantasmas, e acabou cometendo suicídio em 1968.

Os sobreviventes do USS Indianapolis se organizaram, e, durante muitos anos, passaram a tentar limpar o nome de seu capitão incluindo seu filho Charles McVay IV (1925-2012), porém sem sucesso.

Somente décadas depois da tragédia, quando um garoto da Florida, de 12 anos, chamado Hunter A. Scott, ao realizar um trabalho para a escola, sai em busca dos sobreviventes para ouvir seus relatos é que o caso ganha uma outra proporção. Dedicado, o garoto consegue reunir material suficiente para inocentar o capitão McVay e seu depoimento perante o Congresso dos Estados Unidos atrai a atenção nacional para a situação, mostrando enfim fatos que a Marinha ocultou na época e que poderiam ter evitado a tragédia.

Em outubro de 2000, o Congresso dos Estados Unidos aprova uma resolução isentando o Capital McVay pela perda do USS Indianapolis. O presidente Clinton também assinou a resolução.

 O filme de 1991, feito para a TV, Mission of the Shark: The Saga of the U.S.S. Indianapolis, estrelado pelo ator Stacy Keach, também retrata a tragédia, porém não está mais disponível no acervo da Netflix (pelo menos não no Brasil).

Em torno de sete livros foram publicados sobre a tragédia (não consegui encontrar nenhum em português) porém os livros sobre a Segunda Guerra Mundial não atraem tanta atenção como os filmes e embora a história do USS Indianapolis tenha sido contada várias vezes, todo o horror e violência do que foi considerado o pior desastre naval dos Estados Unidos, ainda não é amplamente conhecido, assim vale conferir o filme que, além do Nicolas Cage, tem no elenco os atores Tom Sizemore, Thomas Jane, Matt Lanter e Cody Walker.

Fontes:

Imagens: Google e fotos divulgação.

http://www.usatoday.com/story/news/nation/2015/07/25/hollywood-tell-harrowing-story-uss-indianapolis/30682653/

http://www.bbc.com/news/magazine-23455951

http://www.usni.org/ussindianapolis

http://edition.cnn.com/2016/07/29/us/uss-indianapolis-sinking-anniversary/

https://en.wikipedia.org/wiki/Hunter_Scott

http://archives.starbulletin.com/97/11/10/news/story3.html

Depoimento dos sobreviventes para o documentário da National Geographic

Listen to Survivors Recount Warship Sinking Among Sharks

http://news.nationalgeographic.com/2015/07/150730-uss-indianapolis-sinking-reunion-survivors-sharks/

 

4 Comments

  1. Bom filme vale a pena assistir.

  2. Tanx pela dica!

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